terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Seja como for / Uma reflexão existencial ( By Fernando M. Bermudez)

A poucos dias estava analisando uma canção de nome “Seja como for” da banda “Existência”. Estava percebendo tamanha sensibilidade do autor ao colocar ali elementos da existência humana, que nos remete a uma reflexão da vida. Que possuímos recursos da fé, e que significar a perda de alguém pela morte, em uma simples canção é um alento em meio a dor e as impossibilidades de compreensão que este momento nos traz.
Fiz uma leitura reflexiva de forma simplificada do conteúdo que cada frase do autor traz. Embora saiba que haja leitores de maior capacidade de compreensão e abstração filosófica. Não me propus a definir os sentimentos do autor e nem a limitá-lo numa simples reflexão, afinal, ninguém melhor que ele para significar a dimensão tamanha da angustia que ele sentia no contexto em que a canção foi gerada. Nem ele mesmo tinha percebido conscientemente a amarração dos sentidos que ele deu em cada frase. Mas que ele expressou a angustia e a compreensão do sentido da vida para si mesmo, isto ele fez com louvor. Fiz tal afirmação, pois ao conversar com o autor percebi isto. Ele fez por uma inclinação da força motivadora que ele possui. Sua arte, sua criatividade, sua fé, e também porque sabia que era por causa da dor. O sentido da musica foi vivido e sentido na pele. Por este motivo ela não é uma mera canção e sim a síntese de uma superação com sucesso e ensino.





1 – Os erros vão e vem e tentam me frustrar

Eis ai a condição a qual ninguém foge por mais religiosos ou espirituais que sejamos. Errar é da condição humana e não necessariamente errar é pecar. Há erros que são frutos apenas de más escolhas ou até mesmo fruto da ignorância. E das maiores certezas é que enquanto estivermos nessa terra, estaremos errando. Mas há erros provenientes de situações adversas, de pessoas e lugares específicos. Só se frustra quem possui expectativas. Quem se apóia em ilusões e coisas ideais. Mesmo esperando coisas boas nos frustramos. O autor sabe que os erros estão presentes e que estes tentam frustrar os planos de Deus em sua vida e os planos que ele almeja para si; afinal, como projeto de vida ele sabe que nada será fácil. Que manter seu propósito em Cristo, pode ser abalado pelos erros cometidos por si mesmo, e pelos que vem como desafios para medir o quão firme ele se mantém.

2 – As lutas vão e vem pra me fazer parar

Fico tentando imaginar e refletir tamanha a força das lutas na existência humana e como elas podem mudar o curso de vida de alguém. Nelas nos fortalecemos, mas também nos sucumbimos. O eixo central de nossa visão é que nos direciona a enxergá-las. E como elas se nos apresentam depende da força ou da intensidade com que as significamos. Quando estamos envolvidos em uma dificuldade não entendemos a forma deste envolvimento e como nossos sentidos nos fazem percebê-lo de forma tão intensa. Houve um momento em que o autor se viu nessa condição, e a sensação era de que aquela luta viera para pará-lo em seu propósito. Houve uma ruptura muito forte no tecido de uma linda relação ( ele e o irmão, separados pela partida deste mundo). O sentido que até então firmava o tecido daquela fraternidade se apresentava de uma forma, e agora sofrera um rasgo fatal. É evidente que nem toda luta vem para nos fazer parar. Mas este era o significado que internamente tomara o coração do autor. Foi muito intenso! Na ameaça do ser para a morte nos sentimos sendo parados no viver. As angustias também se dão pela ameaça real do medo da morte. Será que as lutas também se vão para nos fazer parar? Ou será que nos paramos, justificados pelas lutas que vieram? Por que às vezes paramos quando na verdade elas já se foram? A resposta vem a seguir...












3 – Mas decidido estou não olho para trás...

Chega o momento em que ao enfrentar tamanha luta, nos resta apenas um tecido rasgado. Este tecido somos nós, e os fios rompidos precisam ser ligados, pois eles geraram uma crise. Como citado antes, tal crise é uma descontinuidade em sua vivencia. E tal descontinuidade faz com que se perca a noção e como se fia sua própria vida. Ao perder o fio de sua existência
( significado ao longo da vida), a pessoa se desespera. Neste instante se faz necessária a busca de significados para que o sujeito gere compreensão de sua própria continuidade, ou seja, de como ele continua sua caminhada e fia sua trama no viver.
Foi o que o autor fez quando ele decidiu não olhar mais para trás. Mas que olhar para trás? Será que nossas experiências passadas não possuem significado que nos firmem em nossa caminhada? O autor não quis desmerecer sua experiência. Mas decidiu não olhar sua fragilidade humana, que é a de parar os projetos e a própria vida, sempre justificados nas impossibilidades as quais somos acometidos. Tendemos a buscar culpados para nossa não responsabilidade. Não assumimos sermos os agentes responsáveis pelos nossos próprios fracassos. Ainda que tenha sido a visita da morte a alguém que seja tão significativo para nós. Se estamos vivos, viveremos. Isto nos faz lembrar quando o apóstolo Paulo disse: “esquecendo-me das coisas que para trás ficam, sigo para o alvo...”

4 – Eu levo a minha cruz e sigo a Jesus

Logo então usamos os recursos que possuímos para superarmos a dor que algumas lutas trazem. Para não olharmos para trás precisamos de um motivo, uma razão de olharmos para frente. O autor lembrou-se da seta celestial ( a cruz ) e de sua responsabilidade em levá-la, ou seja, sua própria responsabilidade em assumir sua própria vida, caminho e escolhas. Toda seta aponta uma direção, um alvo. E no caso o autor o tem como motivo Maximo de sua existência (JESUS).

















5 – (Coro) Seja como for vou até o fim / Cristo seguirei

Todo significado alcançado gera compreensão e assim é possível a continuidade do sujeito. É no momento que ele encontra o fio solto, que ele vai recriando sua história e se auto-significando. São nossas bases que nos sustentam e nos fortalecem para seguir. Quando nossa vida é guiada por irrealidades é que perdemos o chão da compreensão, e quando isto acontece somos levados e não nos levamos. Passamos a nos dependermos dos outros até mesmo para viver. Elegemos outros como referencia e escoro e nos esquecemos Daquele que nos fortalece. Só nos construímos com nossos próprios tecidos e o sentido de nossa vida está dentro de nós e não fora, nas coisas ou pessoas. O autor lembrou-se que o tecido que constitui sua vida é CRISTO. Somos responsáveis pelo modo como nos tecemos, e enquanto passamos de um momento ao outro em nossa vidas, na maioria das vezes, não percebemos quais são os fios que unem nossa história. É difícil percebermos quais são os papeis que desempenhamos em nossa jornada. Mas só compreendemos o sentido de nossas vidas quando compreendemos seus fatos. O autor percebeu suas bases e reconheceu o poder da circunstância o qual ele enfrentara, e decidiu ir até o fim. Ou seja, para ele Cristo é o fim, o inicio de todas as coisas e o motivo de seu existir. Ele entendeu em qual palco ele está atuando e qual papel ele está desempenhando. Somos autores de nossa própria existência e neste cenário convidamos quem quisermos para assistir o espetáculo de nossas dramaturgias.


6 – Nada vai me separar. Com Cristo vou até o fim. Nada vai me impedir de seguir o meu caminho.

O autor ansiava por um sentido. E a não busca deste significado tornaria sua dor ainda maior. Ele percebeu que haveria mais dores e mais dificuldades, as quais ele, em toda sua vida haveria de experimentar. Por isto decidiu também, que nem mesmo a morte de alguém tão significativo, o faria parar em seu caminho. Ele sabe que com Cristo em sua vida ele conseguirá chegar até o fim (a eternidade). E nesta convicção nada mais o abalará.

É interessante notar que o autor não pensou em cada frase da letra de uma forma lógica racional. Não pensou em apenas encaixá-las ritmicamente para compor uma melodia. Mas de forma logicamente emocional, fruto de uma síntese experiencial, levando a uma reflexão também de cunho espiritual. A totalização das experiências vividas pelo autor, resultaram nessa linda letra. Cujo objetivo é trazer uma reflexão sobre a perda, a saudade e a solidão; tendo como pano de fundo a morte e a vida daqueles que crêem no porvir. Tal reflexão tem por finalidade, permitir às pessoas uma melhor compreensão do que é viver uma perda, mas também do que é resignificá-la, como objeto de superação. ( By Fernando M. Bermudez)

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